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Por Everton Edvaldo

Leitura Bíblica: (Efésios 4.15).

Introdução: No começo do século XX, o título “Pentecostal” era usado para se referir com menosprezo aos que buscavam viver uma vida de santidade e pureza. Segundo Elienai Cabral, o termo, “era relegado a um tratamento de menosprezo e discriminação.” (CABRAL, p. 65). Porque isto aconteceu? Simples, a razão é que houve uma reação contrária ao Movimento Pentecostal por parte daqueles cristãos mais tradicionais e que não estavam dispostos a conhecerem de perto, o Mover de Deus. Lamentavelmente, os anos se passaram, e esses cristãos foram criando falácias e mitos a respeito do Movimento Pentecostal. A palestra de hoje, tem como foco principal, a apologia da nossa herança, desfazendo algumas dessas mentiras e mostrando a verdade. Veremos 4 mitos, aproveitando cada tópico, para fortalecermos a nossa fé.

I- O PENTECOSTALISMO COLOCA AS EXPERIÊNCIAS NO MESMO PATAMAR DAS ESCRITURAS, E EM ALGUNS CASOS, ATÉ ACIMA…

Um dos primeiros mitos e espantalhos com relação ao Pentecostalismo, é que este não reconhece devidamente a supremacia das Escrituras acima de qualquer coisa. Isto acontece, em geral, por algumas razões. Primeiro, no Pentecostalismo, as experiências ocupam um lugar importante, ao qual nenhum outro sistema assim o faz. Segundo alguns líderes simpatizantes do Pentecostalismo de fato colocam as experiências de pé de igualdade com as Escrituras.

Todavia, esse tipo de argumentação é falaciosa e não se sustenta à luz da verdade. O Pentecostalismo enxerga com importância as experiências porque a Bíblia, assim também o faz. Se a Bíblia ensinasse o contrário, não haveria porque os Pentecostais creem no que creem. A Bíblia está repleta de experiências; e aqui, já quero deixar claro a natureza dessas experiências: são experiências com Deus, obras divinas, intervenções, sinais, curas e manifestações do Espírito. De fato, em nenhum outro sistema atual você verá mais manifestações invisíveis e visíveis do Espírito Santo do que no Movimento Pentecostal, isto porque acreditamos que as experiências são importantes, porém, ser importante, não é estar no mesmo nível, nem acima de.

O Pentecostalismo dá muita ênfase ao Espírito Santo como atuante principal desta era, no entanto, faz isso dentro dos parâmetros bíblicos. Os Evangelhos estão repletos de sinais, curas, conversões, etc. Em Atos dos apóstolos, tais manifestações se intensificam. Temos pessoas sendo batizadas no Espírito Santo, falando em línguas, tendo revelações, no entanto, com uma profunda vida de oração e consagração a Deus!

Por outro lado, o Pentecostalismo reconhece e vive a plena autoridade das Escrituras sobre tudo e todos. Nenhum outro livro se equipara à Bíblia. Nenhuma revelação divina que tenha sido extra-bíblica é superior ou está no mesmo nível que a Palavra de Deus. Isto porque ela é a regra de fé para todos os salvos em Cristo, enquanto que qualquer outra revelação divina, pode ser normativa para uns e outros não.

Ainda que alguém que se declare Pentecostal faça isto, ou seja, colocar uma revelação no mesmo nível das Escrituras, não deve-se concluir que o Pentecostalismo é quem ensina isso. No mínimo, isto significa que este Pentecostal está indo além do que sua herança ensina. O erro de um, ou de alguns, não deve ser atribuído a todo o Movimento.

Os pioneiros do Movimento Pentecostal sempre tiveram um apreço enorme pela Bíblia Sagrada. Eram homens de Deus, de oração e de leitura bíblica, embora nem todos fossem teólogos ilustres.

Outra questão que deve ser abordada, é a de pessoas simpatizantes do Movimento Pentecostal. Algumas delas, são neopentecostais, participam de uma vertente tardia e estranha ao Pentecostalismo Clássico. Pois bem, os excessos e os distanciamentos teológicos por parte de alguns, não constituem um motivo para afirmar que o Pentecostalismo ensina coisas antibíblicas. Até porque, pessoas heréticas, isto é, que se distanciam da verdade para o erro, são reais em qualquer sistema teológico.

A verdade é que o verdadeiro Pentecostalismo coloca as experiências no seu devido lugar, mas sem macular ou quebrar o princípio do Sola Scriptura.

Comentando a respeito deste assunto, afirma o teólogo Pentecostal:

“Não há como negar que o movimento pentecostal como um todo dá forte ênfase à experiência, mas destacar a experiência com Deus não é mesmo que colocá-la acima das Escrituras. O problema com o pentecostalismo carismático é que nele a experiência é posta em pé de igualdade com a Bíblia.” (GONÇALVES, p. 100).

Isso nos alerta para tomarmos cuidado com aqueles pentecostais individuais que de alguma forma fazem tais coisas. Deveremos repudiar fortemente tais práticas.

II- O PENTECOSTALISMO NÃO TEM NENHUM TIPO DE LIGAÇÃO COM A REFORMA PROTESTANTE, POR ISSO DEVE SER EVITADO.

É tendência moderna, evitar o Pentecostalismo por acreditar que este Movimento é alheio aos princípios da Reforma Protestante. Vejo todos os dias, jovens cristãos que se encantam com a teologia reformada a ponto de não querer nenhum contato com a produção teológica Pentecostal. Na verdade, esse tipo de mito, ganha cada vez mais credibilidade porque os jovens cristãos estão sendo bombardeados por movimentos estranhos que não são Pentecostais em sua essência, mas estão sendo plantados nas igrejas Pentecostais. Sem saber como reagir, muitos desses jovens, optam por abraçar a teologia reformada e seus desdobramentos. Assim, em vez de conhecerem suas raízes, abraçam não só a teologia reformada, como também os excessos que esta também trouxe e acabam por repudiar qualquer coisa que esteja associada ao Pentecostalismo.

Sem falar que entre os títulos “Reformado” e “Pentecostal”, se classificar como Reformado tem menos resistência aqui no Brasil. Dependendo da região, se você se diz Pentecostal, as pessoas já te olham com outros olhos. Infelizmente, entre alguns cristãos tradicionais, o Pentecostalismo se tornou sinônimo de algo que não é bom para a igreja.

O que acontece é que um abismo foi criado entre a Reforma e o Pentecostalismo, quando na verdade, esse abismo não existe.

O pastor peruano e teólogo Pentecostal Bernardo Campos se posiciona em relação a esse assunto da seguinte forma, ele pergunta: “Qual a relação que se pode estabelecer entre o pentecostalismo atual e a Reforma Protestante do século XVI?” Ele responde:

“Num sentido histórico e social, o pentecostalismo é uma parte do protestantismo herdado da Reforma. De fato, muitos o reconhecem como um protestantismo popular e o diferenciam do protestantismo ‘histórico’- termo sob todos os aspectos impreciso, porque o pentecostalismo não é a- histórico de modo algum- ou do ‘velho’ protestaram o, como costumava dizer Troeltsch. O pentecostalismo, assim como a maioria das igrejas evangélicas da América Latina e do Caribe, é herdeiro -em diversas vertentes- da teologia e da vida da ampla e completa Reforma Protestante.” (Apud GONÇALVES, p. 17).

Eu costumo dizer que o Movimento Pentecostal trouxe dinamismo divino para as comunidades cristãs de todo o globo terra. No Pentecostalismo, os cinco princípios da reforma Protestante são valorizados e vividos. Ou seja, existe sim uma ligação entre ambos. Claro, não estamos dizendo que para que isso seja verdade, o Pentecostal precisa crer em tudo quanto ensinou Lutero, Calvino ou Zwiguio. Jamais, até porque eles mesmos divergiam entre si, mas dizemos isto argumentando e situando o Pentecostalismo como um movimento genuinamente bíblico dentro do protestantismo.

É importante enfatizar que também existem cristãos que não são Pentecostais, mas que não desprezam esse movimento. Por exemplo, no século XX, o pastor Roberto P. Shuler da igreja metodista em Los Angeles, escreveu um artigo honrando o povo Pentecostal. Ele diz:

“A grande Igreja Metodista por dois séculos foi uma chama viva; agora ficou estéril e sem fruto espiritual. Seus altares estão vazios e muitos destruídos. Um culto católico romano substitui o avivamento em muitas igrejas metodistas. O mesmo tem acontecido aos batistas no norte, aos presbiterianos e a outros corpos eclesiásticos. Ocupam-se em grandes empreendimentos visando a movimentos de caráter mundial. O fogo se apagou nos seus altares. Estão frios, sem vida, cheios de formalismo, mortos. Mas os pentecostais e outros grupos semelhantes estão em marcha. Estão ganhando conversos. Em toda parte, constroem templos. Muitos se entregam a Jesus. São movimentos de crescimento rápido nos nossos dias trágicos.” (MESQUITA, p. 23).

III- PENTECOSTALISMO É SINÔNIMO DE ANALFABETISMO BÍBLICO.

Um dia desses, fui visitar uma igreja presbiteriana, e no final do culto, fiquei com alguns amigos para comer alguma coisa. Nesse ínterim de tempo, pude notar que os cristãos tradicionais que estavam ali, não viam com bons olhos a tradição Pentecostal. Eles riam e brincavam com algumas coisas da nossa herança. Geralmente, esse tipo de situação acontece fora dos círculos pentecostais. O Pentecostalismo tem sido encarado na prática, como um sistema que não estimula o estudo contínuo e progressivo das Sagradas Escrituras, que espiritualiza tudo e não dá tanto crédito à exposição bíblica. Gostaria de pontuar algumas coisas sobre isso:

Primeiro, o verdadeiro Pentecostalismo é comprometido com o estudo das Sagradas Escrituras. Vemos isso tanto nos pioneiros, como nos cristãos Pentecostais atuais.

Segundo, no verdadeiro Pentecostalismo há teólogos tão bom quanto teólogos que não são pentecostais, se não melhores! Existem jovens Pentecostais que dão prioridade à compra de livros reformados que em geral, ensinam coisas contrárias ao Pentecostalismo. Tais pessoas, acabam confundindo a mente e pensando que só na literatura rígida reformada existe verdade. Que engano! Se lessem livros Pentecostais, viriam o quanto a nossa herança é rica e viva!

Terceiro, a literatura Pentecostal é intensa e alcança não só no meio acadêmico, mas também aqueles pentecostais simples e que não tiveram oportunidade de estudar. Isso é feito através de jornais, periódicos, seminários, EBDs, cultos de doutrina/ensino, etc.

Lembro-me de como comecei o meu amor pelo Pentecostalismo. Primeiro, foi lendo a Bíblia, quando terminei de lê-la pela terceira vez, senti a necessidade de estudar mais à fundo algumas coisas. Nessa época, já era aluno de EBD, mas ao invés de ficar apenas preso ao conteúdo da lição daquele trimestre, comprava outras lições e materiais para estudo. Depois, as lições eram pequenas demais, para minha sede de conhecimento. Passei a comprar livros Pentecostais e cada vez mais, meu amor ia crescendo e se intensificando. Autores como: Severino Pedro, Ciro Sanches Zibordi, Elienai Cabral, Elinaldo Renovato, Antônio Gilberto, Claudionor de Andrade, José Gonçalves, e tantos outros, fizeram parte do meu referencial de estudo.

Quarto, existe sim alguns pentecostais que não possuem um nível de conhecimento bíblico bom suficiente para fazer uma exposição das

principais doutrinas da Bíblia, todavia, isso não significa que o Pentecostalismo leva a isso. Por exemplo, tal realidade pode significar que este pentecostal (especificamente), não tem interesse ou que as várias circunstâncias da vida, não lhe propiciou tempo ou disposição adequada para entender bem aquilo que a Bíblia ensina.

Claro, temos muito o que melhorar ainda na área do conhecimento bíblico. Porém, qual é o cristão que não tem que melhorar em alguma área não é mesmo? Estamos trabalhando para que todos venham tornar-se ávidos conhecedores do manual cristão. Pois bem jovem, hoje te convido para fazer parte daqueles que dão o seu melhor no estudo bíblico, na EBD, nos cultos de instrução, etc.

IV- NÃO EXISTE CRESCIMENTO SAUDÁVEL NAS IGREJAS PENTECOSTAIS.

As igrejas pentecostais tem seus problemas e desafios como qualquer uma outra. Usar isso para afirmar que não existe crescimento saudável dentro delas, é um mito. Fruto do intenso trabalho missionário, as igrejas pentecostais crescem muito rápido. Isto é um fato! Onde a mensagem Pentecostal chega, vidas se rendem Cristo e passam a congregar. Em pouco tempo, nasce a necessidade de plantar uma congregação ali. Dessa forma, dezenas ou centenas de congregações vão surgindo naquele lugar. Esse tipo de repercussão, faz com que muita gente pense de forma negativa a respeito desse crescimento.

Primeiro, precisamos entender por que as igrejas Pentecostais crescem! O crescimento é o próprio resultado do Pentecostes divino! Isto é o que vemos em Atos 2.41. Sem falar que as igrejas Pentecostais levam a sério a Grande comissão (Mt 28.18-20) e o ide de Cristo (Mc 16.15-18; At 1.8). Ganhar almas é uma das principais missões das igrejas Pentecostais.

Robert P. Menzies, enumera algumas razões desse crescimento. Por exemplo, Menzies elucida que as igrejas Pentecostais possuem DNA missional, uma mensagem clara, prodígios e sinais. (MENZIES, p. 95-102).

Diferente do que muitos pensam, esse crescimento acontece sim de forma saudável. Em qualquer igreja pentecostal séria, encontraremos crentes altamente engajados numa vida de santidade e comunhão com Deus, uma boa estrutura ministerial-eclesiástica (porém não perfeita), louvor e adoração, a prática das ordenanças do culto cristão (isto é, a Santa Ceia e o batismo nas águas) e acima de tudo, um bom e sisudo ensino da Palavra de

Deus. Tais coisas, de forma alguma, traz enfermidade para o corpo de Cristo, pelo contrário, traz saúde, vigor e jovialidade.

É dessa forma que crescemos e não ensinando Teologia da Prosperidade, confissão positiva, Maldição Hereditária, praticando exorcismos, entre tantas outras coisas que o neopentecostalismo faz.

Conclusão: A Bíblia nos ensina constantemente a andarmos com a verdade na boca e principalmente, no coração. Não podemos deixar que essas mentiras continuem sendo propagadas a respeito do Pentecostalismo. O Movimento Pentecostal é tão genuíno quanto qualquer outro mover de Deus na história! É claro que os homens que Deus usou e usa, são falhos e muitas vezes, acabam manchando algum ponto da sua trajetória, porém, isso impede o poder do Espírito Santo de continuar operando. Como disse o meu Pastor Presidente relatando o seu testemunho: “Deus nunca erra, mas o vaso é de barro.” Homens são falhos, mas Deus não! Ele usa pessoas, porém, essas pessoas são falhas e claro que deixam sua marca em qualquer coisa que fazem. Contudo, acima destas coisas, o Movimento Pentecostal tem crescido de forma gloriosa e poderosa. Deus tem abençoado o seu povo e quer se utilizar de mim e de você para estarmos também engajados nesta causa. Estais dispostos a ir onde o SENHOR te mandar? Que Deus nos ajude e estarmos no centro da Sua vontade e contemplarmos o Seu tão grande campo de trabalho que o Movimento Pentecostal tem aberto para nós!

 

Bibliografia:

GONÇALVES, José. Rastros de Fogo. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.

MENZIES, Robert P. Pentecostes- Essa História é a nossa História. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

MESQUITA, Antônio. Artigos Históricos Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.