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Por Everton Edvaldo.

Introdução: Falar sobre o Movimento Pentecostal é falar sobre nossa história, é falar sobre nosso lar. Você já parou para imaginar que você conhece sua casa de um cômodo ao outro de modo que até mesmo com todas as luzes apagadas ou com os olhos fechados, você sabe identificar e se locomover dentro dela? Pois bem, você já parou para se perguntar, como essa igreja surgiu? Porque ela crê “nisso” e não “naquilo outro”? Infelizmente, muitos Pentecostais desconhecem suas origens, doutrinas e credos, e por isso, se tornam presas fáceis para extremismos dentro do Pentecostalismo ou abandono do mesmo. Muito do que tem sido dito como sendo Pentecostal em igrejas Pentecostais, não tem nada a ver com o mesmo. Exemplos: gritarias, unções estranhas, superstições, amuletos, linguajar misteriosos, comportamentos irracionais. Lamentavelmente, devido a essas coisas, o Movimento Pentecostal tem sido alvo de uma apatia injusta e uma crítica ferrenha oriunda de igrejas consideradas mais tradicionais (históricas). Nesse sentido, conhecer a história do Movimento Pentecostal é o primeiro passo para não só prevenir como também remediar os excessos de quem faz parte desse Movimento e apatias dos que estão de fora. Além disso, todo Pentecostal tem o desafio de transmitir o seu legado e para isso, precisamos saber de onde viemos, quem somos e no que cremos. Nessa série de estudos, tentaremos expor essas coisas numa linguagem simples e acessível.

Medite nesse estudo e seja abençoado por Deus!

I- PRECEDENTES HISTÓRICOS:

  1. A Promessa do Pentecostes no Antigo Testamento.

Em primeiro lugar, o Movimento Pentecostal tem uma história e esta, não surgiu do nada, sem precedentes. Houveram uma série de acontecimentos que ocorreram ao longo dos séculos para que esse Movimento surgisse com ímpeto, ganhasse força e se tornasse notável no mundo.

Em segundo lugar, a história (origem) do Pentecostes pode ser traçada até à Bíblia, ainda em Joel 2, quando o profeta, numa mensagem escatológica, prevê que em determinado tempo, o Espírito Santo seria derramado em toda a carne, inclusive entre os gentios.

Todos nós sabemos que antes da Nova Aliança, o Espírito Santo não habitava em pessoa alguma. O Espírito Santo enchia temporariamente determinadas pessoas, capacitando-as para tarefas específicas, em momentos apropriados. Além disso, tal fenômeno estava estrito ao povo de Israel. Isso significa que não era algo comum ao povo gentio.

Porém, em Joel 2, o profeta faz uma vaticinação ousada e até mesmo intrigante para os israelitas daquele tempo. Hoje, graças ao apóstolo Pedro, nós temos clareza de que Joel 2 se tratava (dentre outras coisas) do Batismo com o Espírito Santo, uma doutrina fundamental dentro do Pentecostalismo.

Isso significa que em tese, isto é, ainda de forma embrionária, o Pentecostalismo  (como um Movimento que é caracterizada pelo poder de Deus sendo manifestado e efetuado na vida de judeus e gentios), tem seus precedentes históricos (pelo menos de forma profética) ainda em Joel 2.

Claro que isso desencadearia numa série de outros desdobramentos históricos, doutrinários e carismáticos, fazendo com que esse evento marcante se tornasse uma potência muito mais ampla do que estava previsto em Joel 2.

 

  1. O Início do Pentecostes em Atos 2.

Depois de tantos anos que o Pentecostes havia sido profetizado, chegou-se o momento do derramamento com o Espírito Santo sobre os salvos por Jesus.

É em Atos 2 que algumas doutrinas que fazem parte da bandeira levantada pelo Pentecostalismo, são evidenciadas.

Por exemplo, os cristãos reunidos no Cenáculo já eram salvos quando ocorreu o Batismo com o Espírito Santo. Isto significa, que o Batismo com o Espírito Santo é uma experiência distinta da regeneração. Essa é uma das doutrinas essenciais do Pentecostalismo.

Nosso objetivo aqui não é uma exposição acurada e exaustiva sobre o que aconteceu em Atos 2, mas de modo geral, é nessa passagem que se cumpre o que estava previsto em Joel 2. A partir daí, vamos ver por todo o livro de Atos, crentes sendo cheios do Espírito Santo e recebendo os mais diversos dons espirituais que os capacitavam para fazer a obra de Deus. Além disso, vemos em Atos dos apóstolos, um grande indicativo de que os apóstolos de Jesus viviam debaixo da orientação do Espírito Santo de Deus. Sem falar que em Atos há um forte enfoque missiológico. Tudo isso caracterizaria o Movimento Pentecostal lá na frente. Na verdade, o Pentecostalismo se apropriaria desses assuntos, colocando-os novamente em pauta teológica e prática.

Sendo assim, como bem disse o teólogo e pastor José Gonçalves: “O Pentecostes, pois, nasce como um evento profético! Existem dezenas de passagens nas Escrituras tanto no Antigo como do Novo Testamento que mostram que o Pentecostes é de origem divina e não humana. Tem origem em Deus e não no homem!” (GONÇALVES, p. 11).

Isto é, o Pentecostes é de origem bíblica e portanto, divina!

 

  1. O Mover de Deus ao longo das eras da igreja até Azuza.

Muitos estudiosos pensam que o que aconteceu em Atos 2 e em outras passagens desse livro, foi para marcar e inaugurar o início da igreja. Além disso, tais experiências, milagres e sinais que eram feitos pelos apóstolos tinham o objetivo de confirmar a mensagem pregada por eles. Uma vez firmado e fundamentado o Evangelho, já não era necessário esses sinais. Com isso, entendem esses estudiosos que com o fim do século I e de toda aquela geração de apóstolos, esses dons cessaram.

Entretanto, essa compreensão não é bíblica pelo menos por dois motivos: Primeiro, a Bíblia não atesta, não prevê, muito menos garante que será assim. Segundo, a história contraria esse tipo de entendimento e nos mostra que ao longo dela, Deus tem dotado seus servos de dons espirituais para que preguem o seu Evangelho e façam sua obra.

Isso perpassa todas as eras da igreja: A Patrística, Os Medievais, Reformadores, Avivalistas, até à época de Charles Fox Paham e William Seymour, considerados pioneiros do Movimento Pentecostal.

Alguns Pentecostais, entenderam no passado que Deus derramou a chuva temporã em Atos 2 e Serôdia no início do século XX. Isso explicaria, por exemplo, o porque não é constante o que aconteceu em Atos 2 em todas as eras da igreja. Entretanto, esse tipo de entendimento não é verdadeiro. Não há um “elo perdido” entre Atos 2 e Azuza. O que aconteceu em Azuza é apenas o ápice de todo esse mover de Deus ao longo da história, onde Deus vinha trabalhando para um avivamento ainda maior. Em Azuza, há apenas um resgate acentuado das doutrinas e experiências do livro de Atos dos apóstolos e isso significa que o Pentecostalismo tem precedentes históricos, bíblicos e não surge no tempo como algo inovador e sem sentido.

O Doutor Craig Keener diz o seguinte:

“Os primeiros pentecostais acreditavam que estavam vivendo os últimos dias. Ao lerem o contexto do derramamento prometido em Joel para os últimos dias em Joel 2.28,29, muitas vezes enxergavam sua própria época como uma ‘última chuva’ (ou ‘chuva serôdia) correspondendo à ‘primeira chuva’ (ou ‘chuva temporã’) (2.23) na época do Pentecostes. Infelizmente, essa leitura alegórica das condições climáticas de Israel provavelmente apresenta uma compreensão equivocada. O centro da intuição dos primeiros pentecostais sobre os últimos dias, no entanto, estavam sem dúvida correto. (…) Deus não derramou o Espírito no Pentecostes, em seguida reverteu o processo (derramou de volta o Espírito) durante a maior parte da história e então derramou o Espírito novamente nos dias deles. Também não é o caso que Deus iniciou os últimos dias, permitiu a inserção de alguns dias após esses últimos dias que não eram realmente últimos e agora concluirá com mais alguns dias após esses últimos dias. Certamente o Espírito não cessou sua atividade depois da conclusão do livro de Atos. A abordagem restauracionista pentecostal inicial simplesmente adotou o cessacionismo contemporâneo e o modificou, tornando a cessação temporária.” (KEENER, p. 103).

Em Azuza, tudo começou quando William Seymour, um ministro negro, influenciado pelos ensino de Charles Fox Paham, passou a pregar a doutrina do Batismo com o Espírito Santo. O que viria depois disso, resultou no maior Avivamento da história, depois de Atos 2. Seymour alugou um galpão, na rua Azuza, onde passaram a vir cristãos de todo o mundo, para ver, testemunhar e buscar a Deus. Eles saiam de lá batizados com o Espírito Santo, falando em línguas, e com a consciência plena de que Cristo viria de forma iminente, por isso, o Evangelho deveria ser levado ao mundo todo. Engajados com o desejo missionário, eles levaram a chama Pentecostal a diversos países, popularizando dessa forma o Movimento Pentecostal.

 

  1. DE AZUZA PARA AS NAÇÕES: A CHAMA PENTECOSTAL CHEGA AO BRASIL.

No Brasil, o Movimento Pentecostal chega através de missionários altamente influenciados pelo avivamento do Espírito Santo. Eles vieram pregar o Evangelho e foram rejeitados pelas igrejas tradicionais. Foi nesse período que surgiu as denominações:  Congregação Cristã no Brasil (1910) e a Assembleia de Deus (1911).

Segundo a obra “Teologia Sistemática- Uma perspectiva Pentecostal” (CPAD), o “Movimento pentecostal no Brasil teve início em 1911 através dos missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, alcançados pelo avivamento que varreu os Estados Unidos no começo do século.” (HORTON, p. 37).

Desde então, o Pentecostalismo ganhou muita força no Brasil e algumas ramificações ocorreram. No Brasil, o “Pentecostalismo também pode ser dividido por ondas. Nesse caso, tratam-se de três.” (COUTO, p. 175).

 

Veremos quais são elas rapidamente. :

 

  1. A Primeira onda. “A primeira delas possui a ênfase tradicional do falar em línguas como evidência do batismo com o Espírito Santo e nasceram do movimento norte-americano. Exemplos de denominações pentecostais de primeira onda no Brasil: Assembleia de Deus e Congregação Cristã no Brasil.” (COUTO, p. 175).

 

  1. A segunda onda. “A onda nasce de uma ênfase na cura divina e no Brasil elas vêm ou importadas dos EUA ou de dissidências da Assembleia de Deus. Continuam a valorizar os dons espirituais, adotam liturgias muito próximas e até idênticas das denominações de primeira onda. Exemplos de denominações que se enquadram nessa onda: Igreja do Evangelho Quadrangular, O Brasil para Cristo, Deus é amor, Casa da Benção.” (COUTO, p. 175).

 

  1. A terceira onda. “A terceira onda consiste num movimento que além de admitir a glossolalia, passa a entender que o batismo com o Espírito Santo não necessariamente é evidenciado pelo falar noutras línguas. É um movimento que possui duas variações: os adeptos da teologia da prosperidade, que creem na saúde perfeita e na benção financeira; os adeptos do movimento profético e/ou apostólico, que dão ênfase na batalha espiritual e nos dons ministeriais. Exemplos dos adeptos da teologia da prosperidade: Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja Mundial do Poder de Deus e Plenitude do Trono de Deus. Exemplos de denominações adeptas do movimento profético: Ministério Internacional da Restauração, Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo, Igreja Celular Internacional e Bola de Neve Church.” (COUTO, p. 175, 176).

 

Então essas são as três ondas do Pentecostalismo no Brasil, ou como prefere chamar o teólogo e pastor Elienai Cabral: Pentecostalismo Clássico, Deutoropentecostalismo e Neopentecostalismo. (CABRAL, p. 102).

 

III- FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA TEOLOGIA PENTECOSTAL:

Crenças essenciais:

O que faz de alguém um Pentecostal? Essa é uma pergunta que tem levantado uma série de discussões nos últimos anos. Pois bem, os teólogos pentecostais dão várias respostas para essa pergunta. Eu a respondo de duas formas.

Em primeiro lugar, o termo Pentecostes marcou o início da igreja de Cristo. Nesse sentido e de modo geral, todo cristão é Pentecostal porque faz parte dessa história.

De um modo mais específico, nós temos os Pentecostais Confessionais que se identificam com as doutrinas e história do Pentecostalismo Clássico. De um modo geral, essas são algumas crenças essenciais:

 

–  Acredita no Batismo com o Espírito Santo como uma obra distinta da Salvação/Regeneração (uma segunda obra da graça), evidenciada pelo falar em línguas.

–  Acredita na volta iminente de Crsito.

–  Acredita que Cristo morreu por todos e cada um dos homens, por isso, devemos pregar o Evangelho por todo o mundo, a toda criatura.

–  Acredita na atualidade de todos os dons espirituais e ministeriais.

–  Acredita na liberdade do Espírito Santo nos cultos.

–  Acredita na santidade como marca distintiva da Salvação.

 

Mitos

No começo do século XX, o título Pentecostal era usado para se referir com menosprezo aos que buscavam viver uma vida de santidade e pureza. Segundo Elienai Cabral, o termo, “era relegado a um tratamento de menosprezo e discriminação.” (CABRAL, p. 65). Porque isto aconteceu? Simples, a razão é que houve uma reação contrária ao Movimento Pentecostal por parte daqueles cristãos mais tradicionais e que não estavam dispostos a conhecerem de perto, o Mover de Deus.

Lamentavelmente, os anos se passaram, e esses cristãos foram criando falácias e mitos a respeito do Movimento Pentecostal. A palestra de hoje, tem como foco principal, a apologia da nossa herança, desfazendo algumas dessas mentiras e mostrando a verdade. Veremos 4 mitos, aproveitando cada tópico, para fortalecermos a nossa fé.

 

1- O PENTECOSTALISMO COLOCA AS EXPERIÊNCIAS NO MESMO PATAMAR DAS

ESCRITURAS,  E EM ALGUNS CASOS, ATÉ ACIMA…

Um dos primeiros mitos e espantalhos com relação ao Pentecostalismo, é que este não reconhece devidamente a supremacia das Escrituras acima de qualquer coisa. Isto acontece, em geral, por algumas razões. Primeiro, no Pentecostalismo, as experiências ocupam um lugar importante, ao qual nenhum outro sistema assim o faz. Segundo, alguns líderes simpatizantes do Pentecostalismo de       fato     colocam         as        experiências             de       pé       de       igualdade      com    as Escrituras.

Todavia, esse tipo de argumentação é falaciosa e não se sustenta à luz da verdade. O Pentecostalismo enxerga com importância as experiências porque a Bíblia, assim também o faz. Se a Bíblia fizesse o contrário, não haveria porque os Pentecostais creem no que creem. A Bíblia está repleta de experiências e aqui já quero deixar claro a natureza dessas experiências: são experiências com Deus, obras divinas, intervenções, sinais, curas e manifestações do Espírito. De fato, nenhum outro sistema atual você verá mais manifestações invisíveis e visíveis do Espírito Santo do que no Movimento Pentecostal. Ser importante, não é estar no mesmo nível, nem acima de.

O Pentecostalismo dá muita ênfase ao Espírito Santo como atuante principal desta era, no entanto faz isso dentro dos parâmetros bíblicos. Os Evangelhos estão repletos de sinais, curas, conversões, etc. Em Atos dos apóstolos, a coisa se intensifica. Temos pessoas sendo batizadas no Espírito Santo, falando em línguas, tendo revelações, no entanto, com uma profunda vida de oração e consagração a Deus!

Por outro lado, o Pentecostalismo reconhece e vive a plena autoridade das Escrituras sobre tudo e todos. Nenhum outro livro se equipara à Bíblia. Nenhuma revelação divina que tenha sido extrabíblica é superior ou está no mesmo nível que a Palavra de Deus. Isto porque ela é a regra de fé para todos os salvos em Cristo, enquanto que qualquer outra revelação divina, pode ser normativa para uns e outros não.

Ainda que alguém que se declare Pentecostal faça isto, ou seja, colocar uma revelação no mesmo nível das Escrituras, não deve-se concluir que o Pentecostalismo é quem ensina isso. No mínimo, isto significa que este Pentecostal está indo além do que sua herança ensina. O erro de um, ou de alguns,          não     deve   ser      atribuído        a          todo    o Movimento.

Os pioneiros do Movimento Pentecostal sempre tiveram um apreço enorme pela Bíblia Sagrada.

Eram homens de Deus, de oração e leitura bíblica, embora nem todos fossem teólogos ilustres.  Outra questão que deve ser abordada, é a de pessoas simpatizantes do movimento Pentecostal. Algumas delas, são neopentecostais, participam de uma vertente tardia e estranha ao Pentecostalismo clássico. Pois bem, os excessos e os distanciamentos teológicos por parte de alguns, não constituem um motivo para afirmar que o Pentecostalismo ensina coisas antibíblicas. Até      porque           pessoas         heréticas       são      reais   em      qualquer        sistema teológico.

A verdade é que o verdadeiro Pentecostalismo coloca as experiências no seu devido lugar, mas sem macular ou quebrar o princípio do Sola Scriptura.

Comentando a respeito deste assunto, afirma o teólogo Pentecostal:

 

“Não há como negar que o movimento pentecostal como um todo dá forte ênfase à experiência, mas destacar a experiência com Deus não é mesmo que colocá-la acima das Escrituras. O

problema com o pentecostalismo carismático é que nele a experiência é posta em pé de igualdade com    a          Bíblia.”           (Gonçalves, p.        100).

 

Isso nos alerta para tomarmos cuidado com aqueles pentecostais individuais que de alguma forma fazem             tais      coisas.           Deveremos   repudiar         fortemente    tais      práticas.

 

  1. O PENTECOSTALISMO NÃO TEM NENHUM TIPO DE LIGAÇÃO COM A REFORMA

PROTESTANTE,  POR ISSO DEVE SER EVITADO.

 

É tendência moderna, evitar o Pentecostalismo por acreditar que este movimento é alheio aos princípios da Reforma Protestante. Vejo todos os dias, jovens cristãos que se encantam com a teologia reformada a ponto de não querer nenhum contato com a produção teológica Pentecostal. Na verdade, esse tipo de mito ganha cada vez mais credibilidade porque os jovens cristãos estão sendo minados por movimentos estranhos que não são Pentecostais em sua essência, mas estão sendo plantados nas igrejas Pentecostais. Sem saber como reagir, muitos desses jovens alternam em se simpatizar e conhecer a teologia reformada. Assim, em vez de conhecerem suas raízes, abraçam não só a teologia reformada, como também os excessos que esta também trouxe e acabam por repudiar qualquer coisa que esteja associada ao Pentecostalismo.

Sem falar que entre Reformado e Pentecostal, se classificar como Reformado tem menos resistência aqui no Brasil. Dependendo da região, se você se diz Pentecostal, as pessoas já te olham com outros olhos. Infelizmente, entre alguns cristãos tradicionais,  Pentecostalismo se tornou sinônimo de uma coisa que não é boa para a igreja.

O que acontece é que um abismo é criado entre Reforma e Pentecostalismo, quando na verdade, esse abismo não existe.

O pastor peruano e teólogo Pentecostal Bernardo Campos se posiciona em relação a esse assunto da seguinte forma, ele pergunta: “Qual a relação que se pode estabelecer entre o pentecostalismo atual e a Reforma Protestante do século XVI?” Ele responde:

“Num sentido histórico e social, o pentecostalismo é uma parte do protestantismo herdado da Reforma. De fato, muitos o reconhecem como um protestantismo popular e o diferenciam do protestantismo ‘histórico’- termo sob todos os aspectos impreciso, porque o pentecostalismo não é a-histórico de modo algum- ou do ‘velho’ protestaram o, como costumava dizer Troeltsch. O pentecostalismo, assim como a maioria das igrejas evangélicas da América Latina e do Caribe, é herdeiro -em diversas vertentes- da teologia e da vida da ampla e completa Reforma Protestante.” (Apud GONÇALVES, p. 17).

Eu costumo dizer que o Movimento Pentecostal trouxe dinamismo divino para as comunidades cristãs de todo o globo terra. No Pentecostalismo, os cinco princípios da reforma Protestante são valorizados e vividos. Ou seja, existe sim uma ligação entre ambos. Claro, não estamos dizendo que para que isso seja verdade, o Pentecostal precisa crer em tudo quanto ensinou Lutero, Calvino ou Zwiguio. Jamais, até porque eles mesmos divergiam entre si, mas apenas para situar o Pentecostalismo como um movimento genuinamente bíblico dentro do protestantismo.

É importante enfatizar que também existem cristãos que não são Pentecostais, mas que não desprezam esse movimento. Por exemplo, no século XX, o pastor Roberto P. Shuler da igreja metodista em Los Angeles, escreveu um artigo honrando o povo Pentecostal. Ele diz:

“A grande Igreja Metodista por dois séculos foi uma chama viva; agora ficou estéril e sem fruto espiritual. Seus altares estão vazios e muitos destruídos. Um culto católico romano substitui o avivamento em muitas igrejas metodistas. O mesmo tem acontecido aos batistas no norte, aos presbiterianos e a outros corpos eclesiásticos. Ocupam-se em grandes empreendimentos visando a movimentos de caráter mundial. O fogo se apagou nos seus altares. Estão frios, sem vida, cheios de formalismo, mortos. Mas o pentecostais e outros grupos semelhantes estão em marcha. Estão ganhando conversos. Em toda parte constroem templos. Muitos se entregam a Jesus. São movimentos de crescimento rápido nos nossos dias trágicos.” (MESQUITA, p. 23).

 

  1. PENTECOSTALISMO É         SINÔNIMO         DE ANALFABETISMO BÍBLICO.

 

Um dia desses fui visitar uma igreja presbiteriana, e no final do culto, fiquei com alguns amigos para comer alguma coisa. Nesse ínterim de tempo, pude notar que os cristãos tradicionais que estavam ali, não viam com bons olhos o a tradição Pentecostal. Eles riam e brincavam com algumas a nossa herança.  Geralmente, esse tipo de coisa acontece fora dos círculos pentecostais. O Pentecostalismo tem sido encarado na prática, como um sistema que não estimula o estudo contínuo e progressivo das Sagradas Escrituras, que espiritualiza tudo e não dá tanto crédito à exposição bíblica. Gostaria de pontuar algumas coisas sobre isso:

Primeiro, o verdadeiro Pentecostalismo é comprometido com o estudo das Sagradas Escrituras. Vemos           isso     tanto   nos     pioneiros,      como nos     cristão            pentecostais atuais.

Segundo, no verdadeiro Pentecostalismo há teólogos tão bom quanto teólogos que não são Pentecostais, se não melhores! Existem jovens Pentecostais que dão prioridade à compra de livros reformados que em geral ensinam coisas contrárias ao Pentecostalismo. Tais pessoas, acabam confundindo a mente e pensando que só na literatura rígida reformada existe verdade. Que engano! Se lessem livros Pentecostais, viriam o quanto a nossa herança é rica e viva!

Terceiro, a literatura Pentecostal é intensa e vista não só no meio acadêmico mas também entre aqueles pentecostais simples e que não tiveram oportunidade de estudar. Isso é feito através de jornais, periódicos, seminários, EBDs, cultos de doutrina/ensino, etc. Lembro-me de como comecei o meu amor pelo Pentecostalismo. Primeiro foi lendo a Bíblia, quando terminei de lê-la pela terceira vez, senti a necessidade de estudar mais à fundo algumas coisas. Nessa época, já era aluno de EBD, mas ao invés de ficar apenas preso ao conteúdo da lição daquele trimestre, comprava outras lições e materiais para estudo. Depois, as lições eram pequenas demais, para minha sede de conhecimento. Passei a comprar livros Pentecostais e cada vez mais, meu amor ia crescendo a se intensificando. Autores como: Severino Pedro, Ciro Sanches Zibordi, Elienai Cabral, Elinaldo Renovato, Antônio Gilberto, Claudionor de Andrade, José Gonçalves, e tantos outros, fizeram parte do meu referencial de estudo.

Quarto, existe sim alguns pentecostais que não possuem um nível de conhecimento bíblico bom suficiente para fazer uma exposição das principais doutrinas da Bíblia, todavia, isso não significa que o Pentecostalismo leva a isso. Por exemplo, tal realidade pode significar que este pentecostal (especificamente), não tem interesse ou que as várias circunstâncias da vida, não lhe propiciou tempo ou disposição adequada para entender bem aquilo que a Bíblia ensina.

Claro, temos muito o que melhorar ainda na área do conhecimento bíblico. Porém, qual é o cristão que não tem melhorar em alguma área não é mesmo? Estamos trabalhando para que todos venham tornar-se ávidos conhecedores do manual cristão. Jovem, hoje te convido para fazer parte daqueles que dão o seu melhor no estudo bíblico, na EBD, nos cultos de instrução, etc.

 

  1. NÃO EXISTE      CRESCIMENTO     SAUDÁVEL      NAS     IGREJAS     PENTECOSTAIS.

 

As igrejas pentecostais tem seus problemas e desafios como qualquer uma outra. Usar isso para afirmar que não existe crescimento saudável dentro delas, é um mito. Fruto do intenso trabalho missionário, as igrejas pentecostais crescem muito rápido. Isto é um fato! Onde a mensagem Pentecostal chega, vidas se rendem Cristo e passam a congregar. Em pouco tempo, nasce a necessidade de plantar uma congregação ali. Dessa forma, dezenas ou centenas de congregações vão surgindo naquele lugar. Esse tipo de repercussão, faz com que muita gente pense de forma negativa a respeito desse crescimento.

Primeiro, precisamos entender porque as igrejas Pentecostais crescem! O crescimento é o próprio resultado do Pentecostes duvino! Isto é o que vemos em Atos 2.41. Sem falar que as igrejas Pentecostais, levam a sério a Grande comissão (Mt 28.18-20) e o ide de Cristo (Mc 16.15-18; At 1.8). Ganhar almas é a principal missão da Igreja de Cristo.

Robert P. Menzies, enumera algumas razões desse crescimento. Por exemplo, Menzies elucida que as igrejas Pentecostais possuem DNA missional, uma mensagem clara, prodígios e sinais  Diferente do que muitos pensam, esse crescimento acontece sim de forma saudável. Em qualquer igreja pentecostal séria, encontraremos crentes altamente engajados numa vida de santidade e comunhão com Deus, uma boa estrutura ministerial-eclesiástica (porém não perfeita), louvor e adoração, a prática das ordenanças do culto cristão (isto é, a Santa Ceia e o batismo nas águas) e acima de tudo, um bom e sisudo ensino da Palavra de Deus. Tais coisas, de forma alguma, traz enfermidade para o corpo de Cristo, pelo contrário, traz saúde, vigor e juvenialidade.

É dessa forma que crescemos e não ensinando Teologia da Prosperidade, confissão positiva, Maldição Hereditária, exorcismos, entre tantas outras coisas que o neopentecostalismo faz.

Conclusão: A Bíblia nos ensina a constantemente a andarmos com a verdade na boca e principalmente,no coração. Não podemos deixar que essas mentiras continuem sendo propagadas a respeito do Pentecostalismo. O Movimento Pentecostal é tão genuíno quanto qualquer outro mover de Deus na história! É claro que os homens que Deus usou e usa, são falhos e muitas vezes, acabam manchando algum ponto da sua trajetória, porém isso não impede o poder do Espírito Santo de continuar a sua obra. Como disse o meu Pastor Presidente relatando o seu testemunho: “Deus nunca erra, mas o vaso é de barro.” Homens são falhos, mas Deus não! Ele usa pessoas, porém essas pessoas são falhas e claro que deixam sua marca em qualquer coisa que faz. Contudo, acima destas coisas, o Movimento Pentecostal tem crescido de forma gloriosa e poderosa. Deus tem abençoado o seu povo e quer se utilizar de mim e de você para estarmos também engajados nesta causa. Estais dispostos a ir onde o SENHOR te mandar? Que Deus nos ajude e estarmos no centro da sua vontade e contemplarmos o seu tão grande campo que o Movimento Pentecostal tem aberto para nós!

Desafios

Todo bônus, tem seu ônus. Em 100 anos, o Pentecostalismo chegou no seu ápice e como todo ramo do protestantismo, logo teve que enfrentar  alguns problemas e desafios. São, por assim dizer, as feridas do Movimento e como toda ferida, precisa de atenção e tratamento caso contrário irá saturar, estragar e contaminar.

Sendo assim, o grande dilema do Pentecostalismo contemporâneo é: Como manter o crescimento das igrejas pentecostais de forma saudável? Ou melhor, quais são os nossos desafios?

 

–  Regredir o analfabetismo bíblico, estimulando os crentes a ler, entender e praticar as Escrituras.

 

–  Manter a identidade do Pentecostalismo Clássico.

 

–  Combater ensinos e práticas estranhas que estão tentando se infiltrar dentro das igrejas pentecostais.

 

O aspecto racional do Pentecostalismo.

Esse é um tema pouco abordado dentro das igrejas Pentecostais, no entanto, é de suma importância, pois, nós temos que dicernir o que é manifestação do Espírito do que é reação nossa às experiências do Espírito Santo e também o que é carnal, falso e demoníaco. Ou seja, devemos aprender a identificar a natureza dessas experiências. É divina, humana ou demoníaca? São três coisas distintas!

O Movimento Pentecostal é conhecido dentro dos círculos tradicionais como um movimento que incentiva e estimula o contato com aquilo que é transcendental, místico (não misticismo) e sobrenatural. Devido a isso, há quem pense que a fé Pentecostal é irracional. Já outros pensam que em razão disso, as experiências manifestadas em nosso meio não são subjugadas à nada.

Entretanto, a fé Pentecostal não é irracional e além disso, reconhecemos que é possível aquilo que é sobrenatural caminhar com o que é racional. Não há um abismo entre os dois.

O que é a 1 Carta aos Coríntios, se não um chamado à reflexão racional da vida e das doutrinas cristãs? Lá, o apóstolo Paulo combate (dentre outras coisas), uma série de distorções a respeito da manifestação do Espírito Santo (em especial sobre os dons espirituais).

Sendo assim, nós Pentecostais, acreditamos que as experiências que temos com Deus, podem e devem ser subjugadas às Escrituras. Por exemplo, sobre as profecias, Paulo disse que deveríamos julgá-las. Sobre a quantidade de pessoas que falassem em línguas, Paulo disse que houvessem dois ou três, ou seja, não muitas e ainda ressaltou que tudo fosse feito com ordem e decência. Todos esses aspectos implicam numa racionalidade no culto. O Espírito Santo jamais anulará a nossa consciência na hora de manifestar-se através de nós, muito menos tirará a nossa razão, violando nossas faculdades intelectuais.

É por isso que devemos ter cuidado com algumas ditas “manifestações espirituais” na igreja. Lamentavelmente, muita coisa tem sido vendida como experiência Pentecostal por aí. Há cultos que  parecem mais uma sessão espírita do que uma autêntica reunião para adorar a Deus. Porém, devemos ter cuidado, pois, como já diz o ditado popular: “nem tudo que brilha (ou reluz), é ouro”.

Atualmente, muitas dessas experiências estranhas estão se popularizando e precisam ser combatidas, como por exemplo: unção do riso, unção do dente de ouro, unção do cai-cai, unção do latido, unção de Manassés, unção do helicóptero, theomania, profetadas, entre outras coisas.

Eu não ignoro o fato de que na história da igreja houveram episódios em que algumas dessas experiências foram vividas por homens de Deus. O problema é que as pessoas estão pegando o que é pontual e transformando em doutrina e liturgia, engessando dessa forma, a manifestação do Espírito Santo. Sem falar que muitas dessas experiências (muito bem documentadas por livros cristãos), foram reações dos cristãos ao Espírito Santo de Deus.

É preciso deixar bem claro que natureza dessa manifestações quase nunca é divina. Muitas vezes, não passa de emocionalismo das pessoas. Outras, tratam-se de induções psicológicas que desencadeiam numa série de reações no corpo das pessoas. Geralmente, tais práticas são feitas por pastores comprometidos (não com a Bíblia), mas com técnicas de hipnose, etc. E por último, lamentavelmente, há casos em que não passa de pura ação demoníaca.

Outras coisas também afetam a racionalidade do culto Pentecostal. Por exemplo: super valorizar o louvor em detrimento da exposição da Palavra de Deus; pregações antropocêntricas e motivacionais, gritarias desnecessárias que perturbam a ordem do culto, etc.

O remédio para isso está nas Escrituras. Precisamos ter mais domínio próprio nos cultos, ordem, decência e acima de tudo, amor! É urgente a necessidade de cultuarmos a Deus com entendimento!

Eu reconheço que nós Pentecostais devemos promover mais reflexões sobre esse tema e na prática, julgar e combater manifestações irracionais em nosso meio. A você cristão Pentecostal, minha recomendação é: não consuma qualquer experiência dos outros, você é um ser pensante!

Submeta elas às Escrituras, julgue-as e as descarte se não estiverem dentro dos padrões bíblicos.

A importância de Lucas-Atos para a igreja moderna.

Lucas-Atos deu uma contribuição gigantesca para o Movimento Pentecostal e este fez com que muitas igrejas tradicionais voltassem os olhos novamente para Lucas-Atos. Todo Pentecostal deveria conhecer bem essa obra. Digo isso, não porque não deveria estudar outros livros da Bíblia, mas porque particularmente, tanto Lucas (o autor), como sua obra (o Evangelho e Atos), são pouco conhecidos no seio da cristandade. Aqui apresentarei algumas curiosidades, informações e motivos pelos quais devemos estudar essa obra majestosa!

 

1-  Lucas-Atos é uma obra única que fala sobre a origem e disseminação do Cristianismo. Se ela não existisse, não saberíamos nossas origens.

 

2-  É o livro mais extenso da Bíblia. “Nenhum outro autor, nem mesmo Paulo, escreveu um texto tão longo do Novo Testamento como Lucas.” (STRONSTARD, p. 20).

Representa 1/4 do Novo Testamento.

 

3-  Concentra a maior parte do Novo Testamento.

 

4-  É o livro mais elaborado, documentado e detalhista do Novo Testamento.

 

5-  É o texto que tem a linguagem e o vocabulário grego mais rico do Novo Testamento.

6-  Possui uma didática exclusiva.

 

7-  Foi escrito por um dos autores mais talentosos do Novo Testamento. Segundo Stronstard, “Lucas é um narrador cuidadoso e extremamente habilidoso.” (STRONSTARD, p. 23). Na verdade, ele coloca “Lucas como o mais talentoso dos autores.” (STRONSTARD, p. 28).

 

Agora apresentarei algumas peculiaridades de Lucas e de Atos.

 

Lucas:

  • É o único que fala sobre a infância de Jesus.
  • Tem uma perspectiva clínica e cuidadosa.
  • É o livro que mais tem parábolas.
  • Aborda Jesus como Messias- Filho do Homem, dando ênfase à humanidade de Cristo.
  • É o que mais fala sobre o Reino dos céus.
  • É o Evangelho que mais fala sobre o Espírito Santo. “Lucas fez dezessete referências ao Espírito Santo, em comparação com doze de Mateus, e seis em Marcos.” (EDUARDO, Artur, p. 66).
  • Mostra uma atenção especial dos marginalizados (mulheres e crianças) no ministério de Jesus.
  • Introduz na mente dos seus leitores, a universalidade do Evangelho.
  • Em Lucas há histórias exclusivas (16.19-31; 21.1-4). • É o único Evangelho que registra os cânticos que eram cantados na igreja primitiva (Magnficat: Cântico de Maria).
  • É o mais literário dos Evangelhos. Possui poemas, canções, parábolas, narrativas, sermões, etc.

 

Atos:

  • Atos fala da origem e disseminação do Evangelho.
  • Traça a origem do derramamento do Espírito Santo sobre os crentes.
  • Relata como os cristãos primitivos viviam e quais desafios enfrentavam.
  • Fala dos Atos dos Apóstolos e do Espírito Santo.
  • Narra a conversão do apóstolo Paulo, o maior líder do Cristianismo depois de Jesus.

De modo geral, em Lucas (o Evangelho) temos um Jesus que é capacitado pelo Espírito Santo, enquanto que em Atos, vemos Jesus capacitando os seus discípulos com o Espírito Santo.

 

A Contribuição para a igreja moderna:

Não é verdadeiro o entendimento de que Lucas-Atos tem pouco a dizer para a experiência contemporânea. Segundo Stronstard, o “gênero adotado em Lucas-Atos é o da narrativa histórica, mas também uma dimensão didática, ou instrucional, e teológica.” (STRONSTARD, p. 38).

 

Sendo assim, temos muito o que aprender com essa obra, pois ela oferece modelos e princípios que devem nortear a igreja. Além disso, Lucas-Atos tem uma teologia prática e carismática. Nela, aprendemos que necessitamos do poder de Deus para cumprirmos o ide e levar o Evangelho à todo o mundo!

 

Quatro marcas de uma igreja Pentecostal autêntica.

Sem dúvida alguma, os pentecostais representam hoje uma importante parcela do evangelicalismo brasileiro. Independente das dificuldades e provações, Deus tem abençoado os seus servos poderosamente. Historicamente falando, os pentecostais possuem quatro marcas notadamente visíveis pelos que estão de fora. São elas: forte compromisso com a Palavra de Deus; obediência ao chamado para anunciar as boas novas; Ênfase constante na oração e busca pelo Espírito Santo; e investimento no ensino genuíno das Sagradas Escrituras. É importante deixar claro, que o texto será pautado em igrejas pentecostais clássicas, que ainda permanecem fiel à herança histórica que receberam. Ou seja, não deve ser subtendido no texto que estão inclusos todos os segmentos do pentecostalismo. Falarei apenas baseado nas igrejas pentecostais clássicas.

 

I- FORTE COMPROMISSO COM A PALAVRA DE DEUS.

 

Antes de tudo, é preciso dizer que os pentecostais possuem zelo pela regra de fé celestial. Diariamente, em nossos púlpitos, temos a oportunidade de se alimentar do pão divino. As igrejas pentecostais se preocupam em propagar a mensagem de Deus se utilizando de todos os recursos disponíveis. Entre eles estão as rádios, canais na TV, jornais, livros, pregações, cultos de Doutrina, simpósios, Escola Dominical e etc.

 

Sabemos que o desprezo pela verdade bíblica, tem sido um dos grandes motivos para a entrada de muitas heresias nas Igrejas de Cristo. É por isso que muitos têm se apostatado da fé. Nada melhor do que se apegar à Bíblia para resistir a essas armadilhas. Uma igreja que não tem compromisso com a Palavra de Deus se envereda por caminhos tortuosos e cheios de embaraço.

 

Os pentecostais não abrem mãos das verdades bíblicas! Quando a ortodoxia bíblica é levada a sério, os frutos logo aparecem! Foi assim desde o princípio, quando os pioneiros plantaram a raiz pentecostal em solo brasileiro. A semente cresceu e tem dado muitos frutos! Em geral, as igrejas pentecostais amam a Palavra de Deus. Levamos a sério o conselho de Paulo a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina.” (1 Timóteo 4.16).

 

II – OBEDIÊNCIA AO CHAMADO PARA ANUNCIAR AS BOAS NOVAS.

Isso mesmo! Os Pentecostais são conhecidos como cristãos obedientes ao “ide” do Senhor. Quando se trata de evangelização e missões, todo o corpo eclesiástico é convocado por Deus, para anunciar o Evangelho. Não ficamos conformados em ver o perdido precisando de salvação.

 

O mundo ainda jaz no maligno e só Jesus pode mudar esse cenário. O Pentecostes permite ao crente, levar a chama do Evangelho por todo o mundo.

 

A mensagem da salvação tem o potencial de romper barreiras, muros, línguas, raça, cor, condição social e etc. Isto só é possível porque Jesus morreu na cruz por todas as pessoas do mundo sem exceção e deseja a salvação de todos. As igrejas pentecostais se empenham muito na tarefa do evangelismo.

 

Nas Assembleias de Deus por exemplo, existem dias específicos em que os crentes se reúnem para saírem ao campo. Com simplicidade e amor no coração, os servos de Deus alcançam os trânsitos, as comunidades, praças e bairros proclamando que Jesus salva, cura, batiza com Espírito Santo e que em breve voltará! Os pentecostais se colocam à disposição para serem instrumentos da graça preveniente de Deus! Isso é gratificante, pois, revela o mesmo sentimento que existia na igreja primitiva, que era de anunciar o Evangelho a toda criatura!

 

No que diz respeito a missões, não hesitamos em fazê-la, onde quer que estejamos. Todos os anos são enviados missionários para países estrangeiros. No mundo, as igrejas pentecostais são as que mais crescem!

 

III- ÊNFASE CONSTANTE NA ORAÇÃO E NA BUSCA PELO ESPÍRITO SANTO.

Talvez esse seja o carro forte do pentecostalismo no Brasil. Os pentecostais são muito empenhados na busca pelo Espírito Santo. É notável principalmente a forte ênfase nos dons espirituais. Isto acontece, porque acreditamos que ainda hoje o Espírito Santo continua distribuindo dons para a igreja de Cristo. Ao longo do tempo, o Espírito Santo tem sido simbolizado por algumas figuras como “fogo”, “lâmpada”, “azeite”; e é muito comum ouvir essa linguagem nos arraiais pentecostais.

 

Associado à isso, as igrejas pentecostais valorizam também a prática de orar constantemente, seja de forma coletiva ou individual. Os crentes são instruídos a estarem buscando sempre a Deus tanto na igreja como em casa. É muito bonito essa herança que tem sido propagada. Muitos têm o costume de orar nas madrugadas. Não que isso tenha mais valor diante de Deus, mas revela o desejo de estar com o Senhor até mesmo nas horas reservadas para descanso.

 

Na igreja, existem os cultos de oração. Quem nunca ouviu falar nas vigílias, onde se passa a madrugada inteira cultuando a Deus? Em muitas igrejas pentecostais, têm o “círculo de oração.” Ali as portas da igreja são abertas para os crentes buscarem a Deus e clamarem em prol das pessoas. Geralmente, são as irmãs que estão à frente desse trabalho, dirigindo e servindo ao Senhor com alegria. Também são realizadas intercessões pelos enfermos que necessitam de uma intervenção divina.

 

Existe ainda o costume de orar de joelhos. Tal postura mostra reverência diante do Todo-Poderoso. Algumas dessas características também são vistas em outras igrejas, mas estão presentes majoritariamente nos arraiais pentecostais.

 

IV- INVESTIMENTO NO ENSINO GENUÍNO DAS SAGRADAS ESCRITURAS.

É muito comum as pessoas taxarem os pentecostais de “analfabetismo bíblico.” Na verdade, a falta de um sólido conhecimento e domínio das Sagradas Escrituras é notada na maioria dos cristãos. Alguns estudiosos afirmam que 90% dos crentes não têm o hábito de ler a Bíblia. Tratando-se de pentecostais, a situação já foi pior. É equivocado propagar uma imagem generalizada de que todo pentecostal é analfabeto biblicamente. É bem verdade que temos muito a melhorar, porém não se pode negar que as igrejas pentecostais investem no ensino genuíno da Bíblia.

 

Começando pela Escola Dominical. A Escola Dominical tem sido uma ferramenta de grande proveito para o ensino dos pentecostais. Não é à toa que ela tem sido chamada: “A maior escola de teologia do mundo.” A maioria das igrejas históricas se reúnem aos domingos pela manhã para aprenderem a santa Palavra de Deus, e isso inclui o pentecostais. São milhares de crentes que aos domingos se dirigem às igrejas. Lá são abordadas lições bíblicas, assuntos de envergadura doutrinária e devocional, sempre ressaltando a parte prática.

 

Além disso, as igrejas pentecostais também possuem seus próprios seminários de teologia. Isto é, os pentecostais também têm a oportunidade de se aprofundarem nos assuntos relacionados a Deus, Bíblia, Jesus, Homem, Finais dos tempos, Anjos, Espírito Santo, Interpretação Bíblica, Pecado, Salvação e etc. Como complemento, possuem editoras próprias que se encarregam de produzir todo o material teológico. É um mito acreditar que os pentecostais não têm nada para contribuir à teologia. Estamos lutando para o quadro melhorar, e intensificar a cada dia mais a qualidade desse ensino! Sendo assim, investir no ensino genuíno das Sagradas Escrituras, também é considerado uma marca das igrejas pentecostais.

 

Conclusão: Diante dessas quatro marcas que foram abordadas acima, podemos compreender que as igrejas pentecostais possuem uma identidade própria. Essa identidade vem sendo preservada, mantida e aprimorada durante os anos que se passam! Elas são nossa herança desde a propagação do movimento pentecostal. Acima de tudo, essas marcas refletem o nosso compromisso com o Deus da Bíblia. Os frutos são vistos todos os dias. Milhares de pessoas são impactadas pela mensagem da salvação. Os salvos são batizados com o Espírito Santo. Os crentes buscam a Deus e ele se manifesta de forma poderosa, trazendo cura, consolo, confiança, provisão e etc. É maravilhoso vivenciar tudo isso! Uma autêntica igreja Pentecostal, é marcada pelo fogo do Espírito Santo! Que Deus nos ajude a preservar todas essas marcas. Amém!