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Por Everton Edvaldo

Introdução: Nos últimos 2/3 meses, o tanto de mensagens que tenho recebido de pastores e líderes de todo o Brasil que estão com problemas com jovens pentecostais que estão flertando com o calvinismo não está no gibi. Dessa forma, pensei em escrever esse texto propondo dicas e conselhos que podem ajudar os pastores na hora de lidar com problemas dessa natureza. Boa leitura!

ENTENDENDO O PROBLEMA:

Muitos procuram fórmulas e receitas prontas que vão funcionar em todos os casos, porém, o que você, leitor, verá aqui são princípios gerais que podem ser flexibilizados mediante a particularidade de cada contexto e região. No entanto, é impossível fazer isso sem que se entenda o que tem feito com que os jovens pentecostais se tornem calvinistas. Se você aplica resoluções sem entender o problema, corre o risco de agravá-lo ainda mais, sem falar que vai tratar com os sintomas e não com a causa. Lembre-se que árvore que não tem sua raiz arrancada, mas somente os galhos, um dia volta a florescer. Logo, é de extrema importância que você entenda a raiz do problema que pode ser uma, duas ou até mesmo várias, sem falar que pode partir de algo externo ou até mesmo de você. Boa leitura!

  1. Quando o problema está em você.

Muitos pastores são responsáveis ainda que indiretamente pelo que tem acontecido com a juventude pentecostal. Vejamos agora alguns fatores:

  1. a) Omissão.Infelizmente, por muitos anos, boa parte da liderança pentecostal no Brasil foi omissa com relação a esse assunto. Muito embora a nossa identidade desde há muito tempo tivesse estabelecida, muitos pastores erraram quando não investiram teologicamente na juventude. Erraram quando não trataram as pregações antropocêntricas, triunfalistas e semi-pelagianas dos seus púlpitos. Erraram quando não deram uma boa base teológica pentecostal ainda no discipulado desse público juvenil. E ainda hoje erram na forma como lidam com nosso público, simplesmente muitas vezes, por não falar a nossa linguagem. Muitos pastores não estão haptos para falar às novas gerações que estão surgindo.
  1. b) Subestimação.Um dos problemas na liderança das igrejas também se dá pelo fato de que alguns pastores, diferente do apóstolo Paulo, ignoram a voz da juventude. Esquecem que somos a igreja de amanhã e que não servimos apenas para encher os templos nos cultos e congressos com duas horas de louvor fervoroso e radiante, mas de que também temos potencial para falar à nossa própria geração. Um jovem pentecostal que abraçou a teologia calvinista influenciará outros jovens da congregação muito mais rápido que o pastor de lá. Não tenha dúvidas disso.
  1. c) Ignorância.Muitos pastores também ficaram devendo na hora de se preparar para falar às novas gerações. Hoje, qualquer jovem mediano pentecostal tem acesso à internet, e domina assuntos que seu pastor muitas vezes, sequer sabe que existe. Então o jovem pentecostal não encontrando uma ponte entre sua geração e a geração do seu pastor, acaba entrando em contato com a teologia reformada sem uma boa preparação em suas próprias raízes. E aquele velho ditado se repete: o que ele não encontra em casa, vai procurar na rua…e acha! Boa parte dos jovens pentecostais que flertaram ou abraçaram o calvinismo, se tornaram calvinistas não porque a teologia pentecostal não fosse sólida e robusta, mas simplesmente porque nem sequer ouviram que existia teologia pentecostal.

    Evite esses erros!

  1. Quando o problema está fora.

Tudo é um ciclo, e como uma coisa puxa a outra, em conjunto com essas posturas, o jovem pentecostal encontrará outras pedras ao longo da sua jornada. Veremos algumas delas:

  1. a) A Internet.O mundo de hoje é digital, online, virtual e acreditem, boa parte da juventude pentecostal além de estar presente na internet, são pessoas que gostam de ouvir pregações, tirar dúvidas sobre o cristianismo e Bíblia, além de ter curiosidade por aquilo que é diferente. Resultado: como os reformados representam um algoritmo gigantesco de visualizações e conteúdo na internet, os pentecostais acabam entrando em contato com a teologia reformada e nesse caso, o problema não é nem esse, pois vale lembrar que a teologia reformada não é nossa inimiga, muito menos não é uma tradição que não tem nada a agregar à nossa fé. O problema é quem está indo lá assistir esses vídeos são jovensque não possuem os pés bem firmes na sua própria tradição. Esse jovem será uma isca fácil e logo estará na internet e na congregação influenciando outros jovens e formando a próxima geração de ‘pentecostais reformados’. Os caminhos que eles traçam são três: um menos prejudicial e menos comum que é o de ser calvinista, porém respeitar a identidade pentecostal da congregação que ele pertence.  O segundo é o do proselitismo. Esse jovem não quer sair de sua igreja para ir para uma presbiteriana, até porque o jovem que se encaixa nesse perfil, não abrilhanta os olhos pela liturgia presbiteriana, por assim dizer. Então ele provavelmente vai dar trabalho ao pastor em sua própria congregação, uma vez que fará de tudo para convencer a tudo e a todos do ele acredita, propondo muitas vezes, novas expressões do tipo ‘pentecostal reformado’ que é um outro nome para alguém que é um continuísta calvinista. O terceiro tipo será o jovem que vai conhecer a teologia reformada, se tornar calvinista e migrar para uma igreja reformada. Essa parcela ainda é mínima em nosso meio, o que não deixa de ser preocupante. Porém, não existe um tal “Êxodo Pentecostal”, conforme tem sido pregado por muitos reformados. A verdade é que uma parcela grande daqueles que saem das igrejas pentecostais não queriam sair, eles queriam simplesmente que sua igreja melhorasse. Então eles procuram suas melhoras, porém, alguns não conseguem se adaptar ao ambiente reformado e acreditem, se tornam desigrejados.
  1. b) As livrarias:A grande massa dos materiais literários que ocupam as prateleiras das livrarias evangélicas ainda são livros reformados. Vamos censurar ou deixar de vender livros reformados por conta disso? Não, pelo contrário, devemos consumi-los, mas só depois de nos certificarmos de que conhecemos bem a nossa própria tradição. O jovem pentecostal que vai numa livraria não tem esse discernimento e geralmente, acha que todo livro que vende ali, reflete o que a Bíblia ensina. Essa inocência será seu atestado de mudança de identidade. Logo em breve, se tornará um calvinista, muito provavelmente. Não é adivinhação, apenas constatação a partir das estatísticas.
  1. c)As referências externas. Você sabia que as referências externas podem ser um problema para a juventude da sua igreja? Quem são as pessoas que são referências na sua congregação? São pregadores e cantores que pregam e cantam mensagens antropocêntricas, triunfalistas e antibíblicas? Então pode ter certeza que os jovens da sua igreja vão buscar referências sérias. E sabem quem eles encontram? Pessoas como Augustus Nicodemus, Hernandes Dias Lopes, Jonas Madureira, dentre outros reformados. Se as novas referências delas são cristãos calvinistas, você acha mesmo que ela também não será?
  1. d)A postura dos pentecostais na mídia.Infelizmente, os pentecostais brasileiros ainda são bastante desunidos. Somos especialistas em denegrir a nossa própria imagem. Veja como funciona o clico: boa parte dos reformados que estão na internet não fazem o devido discernimento entre aquilo que é Pentecostalismo Clássico e Neopentecostalismo. Por causa disso, eles veem tudo como uma coisa só, e as atrocidades e bizarrices neopentecostais também são colocadas nas costas dos pentecostais. O problema é que a internet também está cheia de pentecostal que ‘mete o pau’ não somente no neopentecostalismo, mas também em outros pentecostais. Resultando: alimentam ainda mais a imagem embaçada que os reformados têm de nós. Dessa forma, quando um jovem pentecostal entra em contato com a literatura reformada, estará lidando com um material que (de modo geral) vê o pentecostalismo de forma ruim, como um movimento que não tem teologia, nem hermenêutica, nem seriedade. Ou seja, o material que ele tem acesso vai ratificar aquela imagem que ele já tem a partir do que ele vê no seu próprio contexto.

PRINCÍPIOS GERAIS PARA LIDAR COM ESSES PROBLEMAS:

O Pastor pentecostal precisa estar atento à essas questões, levando em consideração algumas dessas dicas:

  1. a) Faça uma mentoria mais de perto com seus jovens. O que ele leem? Quais são suas influencias e referências? Lembre-se que você pode mapear seus passos, não para censurá-lo, mas para orientá-lo de modo seguro entre os seus estudos teológicos.
  1. b) Prepare 5 ou 10 jovens que formem outros jovens. Acredite, os jovens conseguem influenciar outros jovens muito mais rápido do que você. Eles se identificam bem mais com quem fala sua linguagem por assim, dizer, então é de suma importância que você dê voz e espaço para que sua equipe tenha jovens que influenciem outros.
  1. c) Invista na juventude. Invista tempo e dedicação na sua juventude. Dessa forma vão se sentir mais acolhidos e será mais fácil de lhe ouvir.
  1. d) Promova eventos para falar sobre o assunto. Promova Congressos, palestras, cultos de instrução sobre esse assunto. Os temas podem ser tanto apologéticos quanto expositivos no sentido de expor o que a igreja acredita e porque acredita naquilo. No caso das Assembleias de Deus, que tal tirar alguns dias para expor a Declaração de Fé da Igreja? Ou um dia para expor os 5 pontos do Arminianismo e relacioná-los com a Bíblia? Ou até mesmo mostrando o porque que um pentecostal não deve ser calvinista?
  1. e) Conheça o assunto e esteja preparado para as dúvidas que vão surgir. Não apenas os jovens devem conhecer sobre a temática. É seu papel estuda-lo e estar bem resolvido teologicamente. Muitos pastores não estão nem mesmo seguros sobre sua teologia, dessa forma, devem estudar à fundo livros e obras que abordem essas questões.

Além disso, ore pela sua juventude, tenha paciência e esteja pronto para exercer uma liderança antes de autoritária, servil. Que Deus abençoe a todos!