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Por Everton Edvaldo

Leitura Bíblica: (Êxodo 2.2; 2.23; 4.19)


Introdução
: A Bíblia está repleta de crônicas localizando nações, reis e governantes. Todos os fatos nela descritos podem ser provados historicamente, entre eles no Egito. Você sabia que o Egito é a segunda nação mais mencionada na Bíblia? Nesse estudo regressaremos à época de Moisés, há 3525 anos. Esse estudo gira em torno de como era o Egito na época de Moisés e a localização do Êxodo dentro da narrativa bíblica. A Bíblia é histórica e os fatos são reais. O Êxodo realmente ocorreu! Os faraós existiram. Nesse estudo responderemos a algumas perguntas, por exemplo: “Como era o Egito na época de Moisés? “,  ” Como eram as cidades, e a cultura, a escrita, e a educação?”, “Quem foi o Faraó do Êxodo?”, “Quem foi a princesa que salvou Moisés do Nilo?”. Iremos responder a essas perguntas na medida em que o estudo for sendo desenvolvido. Boa leitura!


COMO ERA O EGITO NA ÉPOCA DE MOISÉS.

Moisés nasceu por volta do ano 1525 a.C. Na época de Moisés, o Egito era a maior potência mundial. Um país rico e poderoso capaz de construir grandes monumentos,pois era cheio de prosperidade material e territorial. Era o centro mundial da engenharia, matemática e astronomia. Na época de Moisés atingiu o seu apogeu militar e econômico. Conforme  escreveu André Daniel Reinke: “Enfim, foi o maior e mais rico império de seu tempo, avançado em muitos aspectos.”

Origem do Egito. De acordo com Antônio Gilberto: ” O Egito foi fundado por Mizraim, filho de Cão, logo após o dilúvio (Gn 10.6,13).”

A cultura egípcia. O Egito era repleto de cultura. Cheio de artes, retratava nelas a sua vida cotidiana, suas crenças, e sua inteligência. Sobre isso nos diz Charles R. Swindoll: “Pode-se dizer que eram a ‘classe nobre’ daquela época. Na área educacional eles haviam chegado ao ponto máximo.” Eles tinham as melhores universidades, a mais alta economia e a cultura mais rica.

As pirâmides. De acordo com André Daniel Reinke: “No tempo do Êxodo, as pirâmides já eram construções muito antigas. As famosas Queóps, Quéfren e Miquerinos já existiam havia mais de 1.300 anos (foram por volta de 2.160 a.C). Todas elas, em qualquer tempo, foram túmulos reais. Nelas estavam enterrados os faraós do Egito, cujas múmias eram acompanhadas de tesouros e jóias, estátuas, máscaras mortuárias de ouro e outras preciosidades.” Foi nesse ambiente que Moisés nasceu, cresceu e contemplou dia após dia. Certamente ele conheceu muitas pirâmides.

As jóias egípcias. Os egípcios gostavam de se vestir elegantes, pintados e bem produzidos. Se preocupavam com a beleza externa do seu corpo. Segundo André Daniel Reinke: “Os egípcios produziram jóias fantásticas, lindas e muito bem acabadas, fabricaram todo tipo de pingentes, colares, braceletes, e assim por diante. Eles se preocupavam muito com a aparência, usavam maquiagem para o rosto e adereços com enfeite.”

A escrita egípcia. A escrita que ficou mais conhecida no Egito foi a Hieroglífica. De acordo com André Daniel Reinke: “Era baseada em sinais, desenhada sobre pergaminhos feitos de papiro uma planta muito comum no rio Nilo, cujo caule era aberto e suas fibras unidas, formando essa folha sobre a qual se podia escrever.” Sobre isso escreveu Severino Pedro: “A escrita hieroglífica era também considerada sagrada (hieros, “sagrado” e glyphein, “gravar.”). Os antigos egípcios chamavam seus textos escritos de “palavras dos deuses”. […] Havia três modalidades básicas: Hieroglífica, a escrita sagrada dos túmulos e templos; a hierática, uma simplificação da anterior; e a demótica, a escrita popular, usada nos contratos redigidos pelos escribas.”

A educação de Moisés no Egito. Moisés recebeu a melhor educação existente nos seus dias. Sobre isso escreveu o erudito Matthew Henry: “Embora seja certo que ele estivesse a desfrutar tudo o que a corte tivesse de melhor no momento devido, neste ínterim Moisés teve a vantagem de receber a melhor educação e o melhor desenvolvimento que a corte podia oferecer. Este preparo, aliado a uma grande capacidade pessoal, fez com que Moisés se tornasse mestre em todo o conhecimento legítimo dos egípcios, At 7.22.” Moisés se tornou um dos homens mais educados de sua época, vejamos o que diz o erudito W. W Wiersbe: “O que fazia parte dessa educação? Os egípcios eram uma civilização extremamente desenvolvida para sua época, especialmente nas áreas de engenharia, matemática e astronomia.”

O rio Nilo. Esse rio bastante conhecido na história é o segundo maior rio do mundo, só perde para o Amazonas. É importante falar sobre esse rio, pois sem o Nilo o Egito não existiria. O Egito depende dele para sobrevivência. De acordo com Severino Pedro: “O Nilo movia a economia. Era adorado e venerado como sendo a origem de toda a felicidade do povo egípcio. Assim, tanto na adoração como no louvor se dizia: ‘o Egito é uma dádiva do Nilo.’ Alimentava milhares de pessoas numa área de 3.000 quilômetros de comprimento por 15 quilômetros de largura. Garantia unidade à civilização egípcia, mas trabalho, como a construção de diques e canais de irrigação, o que exigia um poder forte e centralizado.” O rio Nilo é um dos rios mais extensos do mundo com 5.607 Km. Fora do Nilo o Egito possui poucos acúmulos naturais de água potável. Segundo André Daniel Reinke: ” Todas as comunidades egípcias se desenvolveram às margens do Nilo, que irrigava o solo para plantações, e os transportes eram feitos por via fluvial.” Moisés cresceu vendo canoas de junco, barcos e até navios de carga navegando pelo Nilo. Vale salientar que foi nesse rio que Joquebede colocou o menino Moisés. Deixo aqui também as palavras do pastor Antônio Gilberto: “Foi no seu delta (terra de Gósen) que o povo Israelita permaneceu no Egito (Gn 47.6). Foi nas águas deste rio que o pequenino Moisés flutuou (Êx 2.3). É portanto um rio ligado à História do povo escolhido.”

As cidades egípcias. De acordo com A. Daniel Reinke: “As cidades egípcias eram grandes, possuíam mercados, escolas, magníficos templos e construções ricamente ornamentadas, estátuas e colunas colossais, oficiantes de charretes, artesãos, ourives, fabricantes de vinho e cerveja, enfim, as mais diversas atividades. Os egípcios eram avançados na medicina: tinham bons ortopedistas, obstretas e até  oftalmologistas. Conheciam muito bem o corpo humano por causa da mumificação que faziam em seus mortos- os nobres, claro.”

Religião egípcia. Não quero me deter aqui nesse ponto, por isso serei breve e claro. Até porque a religião egípcia é um assunto extenso e não tenho por objetivo me prender nesse assunto. Bem, na época de Moisés a religião egípcia já era Politeísta, ou seja, eles serviam e acreditavam em vários deuses. Eles eram bem religiosos, mexiam com ocultismo, misticismo e magia. No panteão dos deuses, os mais conhecidos eram Ísis, Osíris, Hórus, Anúbis, Rá, Seth, Toth e etc. Esses deuses assumiam formas humanas, animais e naturais. Adorava-se o Nilo, o Falcão, o Sol e até o próprio Faraó. Enfim, a religião egípcia era totalmente pagã e impura.

O GOVERNO DO FARAÓ NO TEMPO DE MOISÉS:

De acordo com o Pastor Ezequias Soares: “O termo “Faraó” é uma deformação grega de (Pharao) vinda da palavra egípcia Per aa  “a grande casa”, empregada para indicar o palácio real. A partir de 1580 a.C; veio a ser usada para designar o próprio soberano. O Egito foi sempre uma monarquia absoluta, cujo topo era ocupado pelo Faraó, que detinha o poder político, religioso e militar. Considerado deus, ostentava o título de filho do Sol.”


O Faraó era o poder máximo no Egito.
 Conforme Severino Pedro: “Tinha por título “filho do Sol”, e representava o poder religioso, político e militar de todo o Egito. O nome “Faraó”, na realidade é uma deformação grega de uma palavra egípcia que indicava o palácio real. Somente durante o Império Novo é que a palavra “Faraó” passou a designar a pessoa do soberano. Tinha várias mulheres, mas só a primeira podia usar o título de rainha.”

O Faraó também era cultuado. Randall Prince em trabalhos de arqueologia egípcia descobriu que o Faraó também era considerado deus. Ele diz: “O que descobrimos é que Faraó era considerado como a encarnação do deus sol Rá e Horus – Osíris, os deuses mais importantes do Egito. Assim, ele era visto como o principal deus do mundo.”

O NOVO IMPÉRIO E A DINASTIA:

Qual família real governava na época de Moisés? Bem; a época de Moisés se situa no Novo Império egípcio, uma época de crescimento e apogeu do Egito. Vejamos agora como se desenvolveram esses fatos.

De acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe: “O Novo Reino ou Império (Dinastias XVIII-XX; 1580-1090 a.C.) representou o ponto alto da expansão territorial egípcia, uma era de conquistas e de prosperidade material. Agora, o objetivo real estava dirigido à destreza física do divino rei, para fazer dele um homem de força insuperável e um habilidoso atleta. Dentre os governantes desse período podemos destacar os seguintes (Dinastias XVIII) Hatshepsut, a mulher rainha, possivelmente a princesa que encontrou o bebê Moisés (Êx 2.5-10), bastante conhecida por seu belíssimo templo mortuário em Deir el – Bahri (…).”

Cronologia dos Faraós 18 Dinastia.: (É importante lembrar que as datas são aproximadas, e que essa cronologia não é fixa, nem tampouco definitiva)

 

 

1º Amósis I

 

8° Tutmósis IV

 

2º Amenotepe I (1546-1525 a.C.)

 

9° Amenotepe III

 

3º Tutmósis I [O Faraó que governava quando Moisés nasceu] (1525-1508 a.C.)

 

10° Amenotepe IV (Akhenaton)

 

4º Tutmósis II (1508-1504 a.C.)

 

11° Smenekhare

 

5° Hatshepsut [a princesa que provavelmente salvou Moisés do Nilo] (1504-1482 a.C.)

 

12° Tutancâmon

 

6º  Tumósis III [o Faraó da Opressão da qual Moisés foge. A morte dele está descrita em Êxodo 2.23] (1482-1450 a.C.)

 

13° Eje

 

7° Amenotepe II [O Faraó do Êxodo, que perseguiu o povo até o mar.] (1450-1425 a.C.)

 

14° Horemheb

 

FARAÓ TUTMÓSIS I.

Muitos fazem a seguinte pergunta: “Quando Moisés nasceu, qual era o Faraó que governava?”, ou então ” Qual o nome do Faraó que mandou jogar os bebês no rio Nilo?”. Esse tópico pretende localizar essas respostas dentro da História.

Já vimos que Moisés nasceu por volta do ano 1525 a.C, no mesmo ano em que Tutmósis I assumiu o trono. Logo, ele era o Faraó que governava na época em que Moisés nasceu.

Era um homem que assim como Amenotepe I (seu sogro) e Amósis I preocupou-se em expandir o Egito, e ele fez isso dedicando -se a conquistas e expedições militares. Seu sogro Amenotepe I quando morreu deixou o Egito como o país mais rico e mais poderoso do mundo. Amenotepe I era casado com sua irmã, (acreditava-se que casando-se os parentes a linhagem real seria preservada, porém na prática isso falhou.)  Amenotepe I não teve filhos do sexo masculino para sucedê-lo no trono, então Amósis sua filha primogênita casou com um militar chamado Tumósis I. Após a morte de Amenotepe I, o militar Tutmósis I herdou o trono.

Esse Tutmósis I, foi o Faraó que mandou jogar os bebês hebreus no rio Nilo. Ele não teve filho homem com sua mulher legítima para subir no trono. Ele foi Pai de Hatshepsut, a princesa que salvou Moisés do rio Nilo (Êx 2.5-10). Tumósis I também teve uma mulher no harém chamada Mutnofre, e teve com ela um filho que se chamava Tutmósis II. Hatshepsut filha de Tumósis I  foi destinada a casar com seu meio-irmão Tutmósis II. Tumósis I morreu quando Moisés tinha mais ou menos 17 anos. Sendo assim Tutmósis II assumiu o trono.

Sobre tudo isso comentou Merril F. Unger: “Visto que Tumósis I não deixou herdeiro legítimo do sexo masculino que ocupasse o trono, sua filha Hatshepsute era herdeira presuntiva. Sendo impedida, contudo, devido ao sexo, de sucedê-lo, a única solução que lhe restava era transmitir a coroa a seu marido, através do casamento, e assegurar a sucessão para seu filho. Afim de frustar um dilema para a dinastia, e impedir a perda da coroa em favor de outra família, Tutmósis I foi obrigado a casar sua filha com seu meio-irmão mais novo, filho de um casamento menos importante, que assumiu o trono como Tutmósis II.”

 HATSHEPSUTE, A PRINCESA QUE ADOTOU MOISÉS:

Tutmósis II não ficou tão conhecido na história, o que se sabe é que ele teve um reinado curto de apenas 4 anos. Teve apenas uma filha com Hatshepsute. E possuía uma amante da qual lhe nasceu um filho. Antes de morrer legitimou o filho (que não possuía sangue real) ao trono. Sobre isso escreveu Ezequias Soares: “Hatshepsut e Tutmósis II governaram juntos o país, mas ele sofreu morte prematura.

O casal teve só uma menina, mas ele moribundo, se apressou em legitimar um filho que havia tido com uma concubina do harém, para que herdasse o trono como Faraó. Esse futuro Tutmósis III era enteado e ao mesmo tempo sobrinho de Hatshepsute. Era ainda criança quando ela assumiu o trono. De fato, foi ela quem governou o Egito. Embora ela não quisesse ser rainha, mas o próprio Faraó e conseguiu isso com o apoio dos sacerdotes do deus Amom, de Tebas. Ela assumiu características e atributos masculinos, usou vestes reais masculinas e barbas postiças comum ao Faraó.”

Hatshepute era uma mulher de punho forte, inteligente, rejeitou ser rainha. Ela era o próprio Faraó. Foi a única mulher na história egípcia a se tornar Faraó. Quando ia se pronunciar em público vestia vestes masculinas, e até foi enterrada como Faraó. Nunca deixou de ser mulher, nem mãe, mas tinha um espírito aventureiro, de governo, domínio e astúcia. Sobre ela escreveu Severino Pedro: “Neste período se destaca a rainha Hatsepsut, que se proclama regente do trono egípcio após depor seu sobrinho Tutmósis III e reina 22 anos, usando barba e vestindo trajes de homem.

De acordo com Merril F. Unger: “Hatshepsut, (…) não apenas assumiu o reinado durante a minoridade de Tutmósis III, mas recusou-se a entregar-lhe a regência, mesmo depois da sua maioridade.” E ele continua: “Logo de começo, a enérgica rainha anunciou sua intenção de reinar como homem. Seu brilhante reinado foi caracterizado por notável prosperidade e grandes construções, e não chegou ao fim antes de cerca de 1486 a.C., quando em seguida à sua morte, o impaciente e invejoso Tutmósis III subiu ao trono e, imediatamente, destruiu ou obliterou todos os monumentos dela.” De acordo com Severino Pedro: “Depois de sua morte, Tutmósis III recuperou o trono e ordena que sejam apagados todos os monumentos que continham o nome de Hatshepute, reinando então por 34 anos.” Segundo Ezequias Soares: “Só depois da morte de Hatshepute é que Tutmósis III finalmente conseguiu assumir o trono do Egito.”

TUTMÓSIS III, O FARAÓ DA OPRESSÃO.

Muitas pessoas perguntam: “Quem foi o Faraó da Opressão, de quem Moisés fugiu?” e “Quem foi o Faraó do Êxodo?”. Atualmente há duas posições sobre quem seria o Faraó do Êxodo. Uma é mais conservadora e mais antiga, a outra moderna. Apesar de tantas discussões em torno disso, não há nenhum indício fiel, sério e definitivo que prove que Ramsés II e Mernepta são os Faraós descritos em Êxodo. Creio que a posição mais conservadora é convincente quando o assunto é datas, cronologia, Dinastias, etc. Por isso creio que o Faraó da Opressão foi Tutmósis III e o do Êxodo: Amenotepe II. Vejamos agora alguns indícios:

Vejamos agora alguns indício segundo Merril F. Unger: ” A História contemporânea Egípcia permite calcular a data do Êxodo em torno de 1441 a.C. esta data cai bem provavelmente, nos primeiros anos do reinado de Amenotepe II (1450-1425 a.C), filho do famoso conquistador e imperador Tutmósis III (1482-1450 a.C). Um dos mais notáveis dentre os Faraós da Opressão.

De acordo com o registro Bíblico, Moisés esperou a morte do grande opressor para voltar ao Egito, de seu refúgio em Midiã (Ex 2.23). O Êxodo teve lugar não muito depois, no reinado de Amenotepe II, que era, evidentemente, o rei que endureceu o coração e não queria deixar os filhos de Israel saírem. A morte de Hatshepsut e a ascensão de Tutmósis III inaugurou, sem dúvida, a última e mais severa fase da opressão de Israel. O novo monarca foi um dos maiores conquistadores da história do Egito.”

Ele ainda fala: “A descrição de Tutmósis III como o grande opressor dos Israelitas, é plenamente digna de crédito. Ele era um grande construtor, e empregava cativos semitas em seus vastos projetos de construções.”

De acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe: “A combinação de Tutmósis III e de Amenotepe II ajusta-se bem às exigências do Faraó da Opressão e às do Faraó do Êxodo, respectivamente. Tutmósis seria o governante cuja morte está registrada em Êxodo 2.23, o mesmo de quem Moisés fugiu em 2.15 (cf 4.19). Ele reinou sozinho por 34 anos (1483-1450 a.C). Em outra parte do dicionário está escrito que: ” Tutmósis (1504-1450 a.C) foi um hábil veterano cujas 17 expedições para a Palestina-Síria serviram para realmente estruturar o império.” Severino Pedro diz: ” Durante seu reinado, o Egito experimentou um período de maior esplendor e prosperidade.”

Vale salientar que Moisés cresceu convivendo com Tutmósis III. Imagine agora Moisés criado como um príncipe, com a melhor educação. Fazia parte da Nobreza. Havia possibilidade de Moisés herdar o trono do Egito, caso Tutmósis II o legitimasse. Imagine: “Faraó Moisés”. Mas os planos de Deus eram outros. De acordo com Matthew Henry: “A tradição dos judeus diz que a filha de Faraó não tinha filhos, e que era filha única de seu pai, de forma que quando ele foi adotado como seu filho, passou a ter direito à coroa.”

Já Lawrence O. Richards diz que: “(…) Moisés, achado por uma princesa, foi adotado pela família real do Egito. Como filho da princesa, Moisés pode até mesmo ter reivindicado o trono do Egito!” Isso só seria possível enquanto Hatshepsut estivesse viva.

De acordo com Ezequias Soares: “Enquanto viveu, Hatshepsut conseguiu inutilizar Tutmósis III. Parece que Moisés representava uma ameaça para o enteado e sobrinho da rainha. É estranho que o Faraó estivesse procurando matar Moisés, um príncipe do Egito, por causa da morte da morte de um egípcio, a ponto de fazê-lo fugir para Midiã (Ex 2.15). Era algo pessoal, pois o Faraó tentava se livrar de Moisés. A essa altura, Hatshepute era a única pessoa do Egito capaz de quebrar as regras e colocar o trono do Egito ao alcance de Moisés.”

Essa perseguição com Moisés era motivada por inveja, Tutmósis III tinha inveja de Moisés. A Bíblia diz que Moisés era instruído em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em suas palavras e obras (At 7.22).

No período em que ele governou Moisés fugiu para o Egito, após a sua morte, Moisés regressa ao Egito após obedecer à chamada de Deus. Tutmósis morre por volta de 1450 a.C. Conforme escreveu Ezequias Soares: “Tutmósis III é o único Faraó do período que reinou tanto tempo desde a fuga de Moisés do Egito até a Teofania do Sinai.”

Segundo Antônio Gilberto: “Totmés III foi um dos maiores reis do Egito. Seu túmulo está em Tebas e sua múmia no museu do Cairo.” Após a morte de Tutmósis III, seu filho Amenotepe II assumiu o trono e se tornou o novo Faraó.

AMENOTEPE II O FARAÓ DO ÊXODO.

Esse tópico não tem como objetivo ser extenso, nem de expor todas as provas existentes que afirme a veracidade de Amenotepe II ter sido o Faraó do Êxodo. Também não tem por objetivo discorrer sobre todas as informações desse Faraó, nem entrar no assunto das pragas ou derrota no mar vermelho.

A maioria dos teólogos afirmam que o Faraó do Êxodo foi Amenotepe II, ou põem o Êxodo em 1445 a.C, que é uma data bem confiável. Entre eles estão: Alexandre Coelho, Silas Daniel, Severino Pedro, Claudionor de Andrade, Antônio Gilberto, W.W. Wiersbe, Lawrence O. Richards, Randall Price, Merril F. Unger.

Governou o Egito por cerca de 25 anos. O Dicionário Wycliffe afirma: “De acordo com a data inicial que se assume para o Êxodo (cerca de 1445 a.C.) ele [Tutmósis III, grifo meu] teria sido o Faraó da Opressão (Êx 2.15,13). e seu filho Amenotepe II, teria sido o Faraó do Êxodo (Êz 5-14).” Ou seja, em Êxodo do capítulo 5 ao 14 o Faraó foi Amenotepe II. Ezequias Soares confirma isso quando escreveu: “O Faraó do Êxodo, que experimentou as dez pragas e mais a derrota no mar vermelho, foi seu filho, Amenotepe II, cuja múmia se encontra ainda hoje no museu do Cairo, Egito.”

Seu filho primogênito morreu na 10° praga do Egito, cedendo espaço assim para Tutmósis IV, seu filho mais novo. O Dicionário Bíblico Wycliffe diz: “Tutmósis IV ( 1425-1417 a.C), filho e sucessor de Amenotepe II, deixou uma impressionante estela entre as pernas da esfinge de Gizé. Em um sonho, foi-lhe dito que ele receberia o reino (ANET, p. 449). Se ele fosse o primogênito do seu pai, não teria sentido uma promessa divina de que ele seria rei um dia. Podemos inferir que o filho mais velho de Amenotepe deva ter morrido antes de seu pai, deixando assim a sucessão para seu irmão mais novo. Isto está de acordo com a morte dos primogênitos, na última praga (Êx 12.29).”

Conclusão: Em meio à tanta especulação no terreno da história bíblica, precisamos de fatos convincentes que nos levem a ter em mente que o livro do Êxodo é um livro histórico. O Egito foi palco de uma boa parte do crescimento de Israel. Enquanto o povo de Deus vivia nele, o Egito alcançou poder , glória, e força. Depois do juízo de Deus sobre o Egito com as dez pragas e a derrota de Amenotepe II no mar vermelho, o Egito perdeu seu status mundial. Segundo Ezequias Soares: “Depois do Êxodo, o Egito nunca mais conseguiu manter a sua glória passando a ser uma potência de segunda categoria.”