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Por Everton Edvaldo

“1 Coríntios 12,13 e 14 é considerado por muitos Pentecostais como um mini-tratado sobre os dons espirituais. Nessa perícope, o apóstolo Paulo faz três coisas:

1- Ele está informando aos crentes coríntios a natureza, o propósito e o exercício dos dons e dedica pouco tempo na conceituação deles, porque a igreja estava bastante familiarizada com essas manifestações. O que para nós hoje, é fruto de especulação muitas vezes, para os coríntios não era, pelo menos na prática.

2- Paulo elenca que o uso dos dons sem o amor, não é um caminho excelente. No capítulo 13, temos umas das exposições mais belas sobre o amor-dom, ou o amor que deve acompanhar o exercício de todos os dons que são para serviço e edificação da igreja, ou seja, do outro.

3- Ele faz correções de alguns abusos e estabelece o principio da ordem e da decência. Apesar de não menosprezar o beneficio individual de alguns dons (por exemplo, o dom de variedade de línguas), Paulo prioriza a edificação coletiva. E nessa coletividade, estava ocorrendo excessos nas manifestações de alguns dons (ao que parece no de línguas e profecia). Ao invés de jogar o bebe fora com a água suja do banho (como alguns fazem hoje), Paulo se vale de um aplicativo circunstancial e os instrui, não para os proibir, mas para que os façam de maneira sábia e com bom senso, pois na teologia paulina, o falso não tira o valor do verdadeiro e no culto, há espaço para todos.

Interessante que na época de Paulo, Corinto era uma das cidades mais entregues ao misticismo do mundo. Há relatos inclusive de pagãos que falavam em línguas estáticas. É por essas e outras questões que esses capítulos são tão importantes nos dias de hoje, porque é justamente nesse cenário e contexto que vivemos. Primeiro para discernirmos o que é divino do que é carnal e às vezes, diabólico e por último, para que através de nós, a multiforme sabedoria de Deus se torne manifesta.”