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Por Everton Edvaldo

Quando estudamos a história da igreja atentamente, percebemos que existiram muitos tipos de manifestações espirituais em cristãos genuínos que não são comuns ou bem vindas entre nós. É o caso por exemplo, da Glossografia e da Xenografia, termos usados por alguns estudiosos para descrever o fenômeno sobrenatural entre alguns cristãos ao longo do tempo de escrever em línguas ininteligíveis ou em idiomas desconhecidos/jamais aprendidos. Um desses exemplos ocorreu com Hildegarda de Bingen (1098-1179), uma cristã alemã que se tornou líder de um convento perto de Bingen. Conta-se que ela exerceu muitos dons espirituais, chegando a experimentar visões (cerca de 26) e a cantar em línguas desconhecidas. Além disso, ela escreveu livros sobre a vida de cristãos piedosos, dois livros de medicina, de história natural, homilias e hinos, muitos deles em latim, uma língua praticamente desconhecida para ela (Evidência Inicial, p. 42,43).

Podemos encontrar muitos outros relatos no começo do Movimento Pentecostal. Um deles, registrado por Charles Fox Parham, pioneiro do Pentecostalismo que via como genuíno o relato da missionária Jennie Glassey que segundo ele “recebeu o dialeto africano em uma noite […] Ela recebeu o dom enquanto estava no Espírito em 1895, mas podia ler e escrever, traduzir e cantar a lingua… Sua experiência cristã é de uma santa consagrada e cheia do Espírito Santo.” (Evidência Inicial p. 95)

Agnes Ozman, a primeira aluna de Parham a falar em línguas, passou pelo menos três dias falando e escrevendo no que acreditava ser a língua chinesa (Evidência Inicial p. 96)

Em Los Angeles, em 1906, o jornal da Rua Azusa celebrou o “dom da escrita em línguas desconhecidas” em uma nota sem título em Apostolic Faith (Evidência Inicial p. 117). “O argumento que deve ter sido usado era que, uma vez que ‘a evidência bíblica’ ou o ‘dom de línguas’ era ‘linguagem’, deveria ser possível reduzi-la a uma variedade de formas linguísticas, incluindo as escritas. Mas, no verão de 1907, uma nota apareceu na Fé Apostólica (Los Angeles) que na Rua Azusa estavam ‘medindo tudo pela Palavra, toda experiência deve estar à altura da Bíblia.’ Na edição seguinte, a celebração do ‘escrever em línguas’ tinha voltado ao ceticismo. ‘Não lemos nada na Palavra sobre a escrita em línguas desconhecidas’ anunciou, ‘por isso não encorajamos isso em nossas reuniões.” (Evidência Inicial p. 117).

Certamente ainda há muitas dúvidas que jamais obteremos respostas claras na Bíblia no que tange às línguas (sejam elas ininteligíveis ou idiomáticas), mas uma coisa que jamais podemos ignorar é que o Espírito Santo pode conceder variações do falar em línguas a um cristão, que além de falar, pode cantar e escrever em línguas. Se alguém me perguntar se existe algum caso registrado na Bíblia dessa experiência, minha resposta sem dúvida, será um sonoro “não”. Mas se você me perguntar se eu acredito que Deus possa usar alguém dessa forma, eu respondo que “sim.” No entanto, vale lembrar que não é toda experiência dessa natureza que reconheço como genuína. É preciso ter discernimento do Espírito, e sobretudo, bom senso para que não possamos chamar de “Águia” aquilo que é “Urubu”. Que Deus nos ajude!